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September 9, 2008

Imobilizadas em celas de gestação

A vida das porcas reprodutoras no Brasil

Humane Society International

  • Mordendo as barras por frustração. Gerson Sobreira

  •  

    Uma vida de imobilização quase total. Gerson Sobreira

Os porcos são um dos animais mais inteligentes que habitam o nosso planeta. Eles são bastante sociáveis, astutos, curiosos e capazes de estabelecer relações complexas e de cooperação em grupos. Cientistas já demonstraram que os porcos também são capazes de jogar jogos de videogame fáceis, aprender uns com os outros e até mesmo aprender nomes. Incontestavelmente, esses animais sentem medo, dor e estresse.

No entanto, a maioria das porcas reprodutoras no Brasil passam praticamente suas vidas inteiras confinadas em “celas de gestação”, sendo submetidas a ciclos de inseminação repetidos. Essas celas têm apenas cerca de 60 centímetros de largura por dois metros de comprimento e por isso não permitem que as porcas sequer se virem dentro delas ou deem mais do que um passo para frente ou para trás.

Por causa das condições severas e a longa duração desse tipo de confinamento, o sofrimento das porcas reprodutoras é um dos piores dentre todos os animais que são criados para consumo. Porcas confinadas em celas são mais propensas a vivenciar tédio, frustração e trauma psicológico. Elas também sofrem de inúmeros problemas de saúde decorrentes dessa prática de confinamento, tais como infecções urinárias e paralisias nas pernas ou pés. 

A ciência é clara

A Drª. Temple Grandin, uma renomada cientista especializada em bem-estar animal, afirma: “Temos que tratar os animais bem e as celas de gestação têm que ir.” Ela adiciona: “Confinar um animal por quase toda sua vida em uma cela na qual ele não consegue se virar não provê uma vida decente”.

O mundo já está se afastando das celas de gestação

A atenção dada aos abusos contra animais criados para consumo, especialmente no que se refere ao bem-estar de porcas reprodutoras, vem crescendo em todo o mundo. As celas de gestação têm sofrido sérias críticas de veterinários, produtores, ativistas de proteção animal, cientistas e consumidores. 

O uso de celas de gestação, exceto durante as primeiras quatro semanas de gravidez, é proibido em toda a União Europeia. Nove estados dos EUA, o governo central da Nova Zelândia e o estado australiano da Tasmânia também possuem leis proibindo o confinamento de porcas reprodutoras.

Muitas das maiores empresas multinacionais do setor alimentício também estão adotando políticas de compras que proíbem fornecedores de usar celas de gestação. Nos Estados Unidos, o McDonald’s, Burger King, Wendy’s, Costco, Safeway e aproximadamente outras 50 empresas líderes de mercado estão implementando políticas livres de celas de gestação em suas cadeias de fornecimento.

Alguns dos maiores produtores mundiais de suínos também estão abandonando esta prática de confinamento. A Smithfield Foods, maior produtora de suínos do mundo, eliminará o uso de celas de gestação em todas as suas unidades de produção nos EUA até 2017, e no México até 2022. A Olymel, maior produtora suína do Canadá, anunciou que sua produção será livre de celas de gestação até 2022. Metade da produção suína da Cargill também já é livre de celas.

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