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July 11, 2011

Da Produção ao Consumo: Os Impactos da Pecuária Industrial no Brasil

Humane Society International

SÃO PAULO — As várias implicações éticas envolvidas na pecuária industrial, ou "produção animal intensiva", foram examinadas em um workshop recente da Humane Society International (HSI) em São Paulo.

Aproximadamente 100 pessoas se juntaram nos dias 21 e 28 de junho para ouvir especialistas nas áreas de pecuária industrial e seus impactos no meio ambiente, bem-estar animal, saúde humana e justiça econômica. O pesquisador Sergio Schlesinger chamou atenção para a conexão entre intensificação da agricultura animal e escassez de postos de trabalho no campo, enquanto a bióloga e ex-funcionária de frigorífico Rívea Borges discutiu alguns dos problemas trabalhistas e de segurança do trabalho inerentes à pecuária industrial. O veterinário Wilson Grassi explicou como a criação intensiva de animais de produção pode também comprometer a saúde humana, ao facilitar o surgimento de doenças zoonóticas como a gripe aviária.

Guilherme Carvalho, Gerente de Campanhas da HSI no Brasil, explicou sobre os impactos da pecuária industrial no bem-estar animal, e descreveu a crueldade rotineira a que as galinhas poedeiras e porcas reprodutoras são submetidas nas granjas industriais. A maioria das galinhas poedeiras no Brasil permanecem praticamente imobilizadas nas gaiolas em bateria, enquanto a maioria das porcas reprodutoras passam todo o período de 114 dias de cada gravidez confinadas em celas de gestação, que lhes impedem de caminhar ou mesmo se virar. Guilherme encorajou práticas de consumo mais conscientes e enfatizou que  "assim como cães e gatos, os animais de produção são capazes de sofrer e merecem nosso respeito. Cada um de nós pode escolher produtos animais com padrões melhores de bem-estar animal, bem como reduzir o nosso consumo de carnes, laticínios e ovos - ajudando, assim, os animais e o meio ambiente".

Os sabidos impactos da pecuária industrial no meio ambiente, comunidades humanas e bem-estar animal já levaram muitas pessoas no Brasil e em outros países a adotar estilos de vida vegetariano, vegano ou "flexitariano" (com consumo esporádico de carne). Médico especializado em nutrição, o Dr. Eric Slywitch discutiu os benefícios de reduzir-se o consumo de carne, afirmando que "as evidências científicas mostram que dietas centradas em carne aumentam o risco para as principais doenças crônicas não transmissíveis, como cânceres, doenças cardiovasculares e diabetes". O médico propôs àqueles dispostos a reduzir a sua ingestão de carnes que comecem pela adesão à campanha Segunda Sem Carne, um movimento global que propõe que não se consuma carnes pelo menos um dia por semana.

A HSI já promoveu worshops semelhantes no Rio de Janeiro e no Recife, gerando conscientização sobre impactos ambientais, sociais, de saúde humana e de bem-estar animal que resultam da pecuária industrial, tanto em nível nacional quanto em nível global, e discutindo esforços coletivos que podem ser feitos para combater estes problemas no Brasil.

Saiba mais sobre o trabalho da HSI no Brasil e no mundo: hsi.org/brasil

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A Humane Society International (HSI) e suas parceiras formam, juntas, uma das maiores organizações de proteção animal do mundo—apoiada por 11,5 milhões de pessoas. A HSI luta pela proteção de todos os animais através de orientação de políticas, educação e programas de assistência. HSI—proteção e respeito a todos os animais. Na web: hsi.org/brasil