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March 6, 2014

Canadá proíbe o uso de gaiolas de gestação na criação de suínos

Humane Society International

  • Em sistemas industriais, matrizes suínas são frequentemente confinadas em gaiolas de gestação durante todo o período de prenhez. Brent Melton/istock

O Canadá anunciou hoje que proibirá em todo o território nacional o confinamento contínuo de matrizes suínas em gaiolas de gestação. A proibição é parte do novo Código de Conduta de Práticas e Manejo de Suínos, de autoria do Conselho Nacional de Práticas para Animais de Produção.

Após o anúncio, a Humane Society International – HSI, uma das maiores organizações globais de bem-estar animal que atua no Brasil, pediu que os produtores de suínos brasileiros comecem a eliminar progressivamente o uso contínuo de gaiolas de gestação e adotem métodos que promovem maior grau de bem-estar animal, como sistemas de alojamento em grupo.

“O Canadá se juntou a dezenas de outros países ao proibir o uso de gaiolas de gestação. Nós vemos esse anúncio como um acontecimento muito relevante a ser considerado pela indústria suína no Brasil. Diversos produtores suínos de peso já estão implementando sistemas de gestação coletiva com sucesso, o que prova que esses sistemas são economicamente viáveis e que tal transição é possível no curto prazo”, disse Carolina Galvani, gerente sênior de campanhas de animais de produção da HSI no Brasil. “No Brasil, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Akatu em 2012 revelou que 87% dos consumidores optariam por produtos que não envolveram sofrimento animal na produção, se tiverem a escolha. A ciência mostra que as gaiolas de gestação resultam em uma maior probabilidade dos animais vivenciarem tédio, frustração, trauma psicológico e outros problemas de saúde, como infecções urinárias e claudicações. Ambos os fatos, se analisados de forma conjunta, sugerem que varejistas e produtores brasileiros poderiam se beneficiar com a adoção de sistemas de produção sem gaiolas de gestação.”

As gaiolas de gestação têm praticamente o mesmo tamanho dos corpos dos animais e os impedem de até mesmo se virar. Em sistemas industriais, matrizes suínas são frequentemente confinadas em gaiolas de gestação durante todo o período de prenhez. No final do período de gestação, as matrizes são transferidas para gaiolas de parição, e, posteriormente, são re-inseminadas e confinadas novamente em gaiolas de gestação. Esse ciclo é repetido durante toda a vida do animal, resultando em anos de imobilização quase total. Sistemas alternativos, que alojam matrizes em grupo, oferecem mais liberdade de movimento e permitem melhores condições em relação ao bem-estar animal.

Desde 2012, mais de 60 grandes empresas do setor alimentício – como McDonald’s, Subway e Burger King – se comprometeram publicamente a eliminar o uso de gaiolas de gestação em suas cadeias de fornecimento nos EUA. Produtores suínos de peso no cenário internacional – como Smithfield Foods, Cargill, Hormel e Tyson Foods – também anunciaram recentemente planos de abandonar o uso das controversas gaiolas de gestação. O confinamento contínuo em gaiolas de gestação já foi proibido em nove estados norte-americanos e em toda a União Europeia. Na Nova Zelândia e na Austrália, a prática de confinar matrizes suínas em gaiolas de gestação será descontinuada em 2015 e 2017, respectivamente. O Território da Capital Australiana (ACT) recentemente também proibiu completamente o uso de gaiolas de gestação para suínos.


Contato de mídia:

Carolina Galvani, cgalvani@hsi.org, + 55 11 98208 9645