• Share to Facebook
    • Twitter
    • Email
    • Print

May 20, 2014

Governo aumenta linha de crédito para a promoção do bem-estar animal em 70%

Humane Society International

  • Gisele Pacheco de Souza

Em seu novo Plano Agrícola e Pecuário para 2014/15, o governo brasileiro aumentou em 70% os recursos disponíveis para o Inovagro, uma linha de crédito com condições especiais para o financiamento de novas tecnologias e melhorias de bem-estar animal na produção pecuária. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) aumentou o valor da linha de R$ 1 bilhão (em 2013/14) para R$ 1,7 bilhão no plano atual. As condições especiais de financiamento incluem o limite de R$ 1 milhão por pessoa ou propriedade, taxa de juros de 4% ao ano e prazo total de financiamento de 10 anos com carência de até três anos.

A renovação e expansão da linha foi bem recebida pela Humane Society International (HSI), uma das maiores organizações internacionais de proteção animal que trabalha no Brasil com a promoção de práticas de bem-estar animal nas cadeias suína e de ovos. “A consideração dada pelo MAPA ao bem-estar animal por meio da renovação e expansão do Inovagro é muito positiva. Trabalhamos com diversos produtores, varejistas e indústrias alimentícias no Brasil que estão interessados em descontinuar sistemas de confinamento intensivo que são prejudiciais ao bem-estar animal. Linhas de crédito, como o Inovagro, com certeza podem auxiliar esse processo”, disse Carolina Galvani, gerente sênior de campanhas da HSI.

Grandes empresas alimentícias estão adotando políticas de compra com critérios de bem-estar animal que excluem métodos de confinamento intensivo, tais como o uso de gaiolas em bateria para galinhas poedeiras e de gaiolas de gestação para matrizes suínas. Ambos sistemas são controversos e já foram proibidos em diversos países. No Brasil, a Unilever anunciou que todos os ovos utilizados na produção da maionese Hellmann’s serão provenientes de sistemas que não utilizam gaiolas até 2020. A Arcos Dorados, a maior franqueadora do McDonald’s na América Latina, assumiu a liderança na cadeia suína ao anunciar neste ano que até o final de 2016 todos seus fornecedores deverão apresentar planos para limitar o uso de gaiolas de gestação para matrizes.

Muitos produtores ao redor do mundo, de todas as escalas, estão usando sistemas alternativos que são economicamente viáveis e substituem o uso de gaiolas em bateria e gaiolas de gestação. Esses sistemas incluem o uso de estações de alimentação automáticas para o alojamento de matrizes suínas em grupo e sistemas automatizados sem gaiolas para galinhas poedeiras. Projetos pioneiros que utilizam essas tecnologias também já existem no Brasil.  “Através da promoção e da oferta de linhas de crédito especiais para a implementação dessas tecnologias, o governo não está apenas beneficiando os animais, mas também auxiliando os produtores a atender a crescente demanda por produtos com melhores padrões de bem-estar animal nos mercados interno e externo,” concluiu Galvani.

Fatos:

  • Na União Europeia, o confinamento contínuo em gaiolas de gestação é proibido desde 2013. Na Nova Zelândia e na Austrália, essa prática será descontinuada até 2015 e 2017, respectivamente. Nos Estados Unidos, nove estados já possuem legislação restringindo a prática. A África do Sul está considerando uma restrição a partir de 2020.
  • O uso de gaiolas em bateria convencionais para galinhas poedeiras é proibido na União Europeia, na Nova Zelândia, em três estados norte-americanos e no Butão. Na Índia, terceiro maior produtor mundial de ovos, 20 estados declararam que o uso de gaiolas em bateria viola a legislação federal de bem-estar animal.
  • Outras grandes empresas alimentícias que operam no Brasil – como Walmart, Burger King, Starbucks e Subway – já implementaram políticas para descontinuar o uso de gaiolas em suas cadeias de fornecimento nos EUA e na Europa.
  • Pesquisas e dados do varejo também indicam que os brasileiros se preocupam com o bem-estar dos animais e cada vez mais optarão por produtos com melhores padrões. De acordo com o Grupo Pão de Açúcar, as vendas de ovos caipira e orgânicos crescem em ritmo duas vezes maior do que as vendas de ovos convencionais. Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Akatu revelou que 87% dos brasileiros prefeririam comprar produtos que não implicam em sofrimento animal durante a produção, se tivessem a opção.


Contato de mídia:
Carolina Galvani, cgalvani@hsi.org, +55 11 98208 9645

  • Sign Up
  • Take Action
Media Contact List2